Agricultores franceses bloqueiam ruas de Paris em protesto contra acordo entre União Europeia e Mercosul
08/01/2026
(Foto: Reprodução) Agricultores da França fazem protesto contra o acordo entre Mercosul e União Europeia
Agricultores franceses protestaram em ruas e vários pontos turísticos de Paris, nesta quinta-feira (8), em ato contra o acordo comercial da União Europeia (UE) com o Mercosul.
Integrantes de diversos sindicatos convocaram os protestos em Paris em meio à negociação do acordo de livre comércio entre os países da UE e Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Os manifestantes também reclamam da forma como o governo francês lida com uma doença contagiosa que afeta o gado.
“Estamos entre o ressentimento e o desespero. Temos uma sensação de abandono, e o Mercosul é um exemplo disso”, disse à Reuters Stéphane Pelletier, dirigente do sindicato Coordination Rurale, sob a Torre Eiffel.
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Protesto contra acordo de livre comércio UE-Mercosul, em Paris
Sarah Meyssonnier/Reuters
Em tratores, os manifestantes romperam os bloqueios policiais e circularam pela avenida Champs-Élysées, bloqueando a via ao redor do Arco do Triunfo.
Dezenas de tratores bloquearam rodovias que levam à capital, incluindo a A13, que liga os subúrbios do oeste e a Normandia a Paris, causando 150 quilômetros de congestionamento, segundo o ministro dos Transportes, Philippe Tabarot.
O protesto aumenta ainda mais a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e seu governo, um dia antes da data prevista para que os membros da União Europeia votem o acordo comercial.
A FNSEA, maior sindicato agrícola da França, convocou manifestação para 20 de janeiro em Estrasburgo, onde fica uma das sedes do Parlamento Europeu, caso o acordo UE-Mercosul seja assinado.
Nesta semana, a Comissão Europeia propôs antecipar 45 bilhões de euros em recursos da UE para agricultores no próximo orçamento e concordou em reduzir tarifas de importação sobre alguns fertilizantes, numa tentativa de conquistar países hesitantes em apoiar o Mercosul.
Os agricultores ainda pedem pelo fim da política de abate de bovinos em resposta à contagiosa doença da dermatite nodular, que consideram excessiva. Eles defendem a vacinação e também reclamam dos altos custos e da regulamentação.
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A Franças se opõe firmemente ao acordo e, mesmo após ter conseguido concessões de última hora, a posição final de Macron ainda não é conhecida.
O pacto é um tema politicamente sensível para o governo, em meio às eleições municipais de março e ao bom desempenho da extrema direita nas pesquisas antes da eleição que substituirá Macron em 2027.
“Este tratado ainda não é aceitável”, disse a porta-voz do governo, Maud Brégeon, à rádio France Info. Ela se recusou a dizer se Macron votará a favor ou contra o acordo, ou se irá se abster.
A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, afirmou na quarta-feira que, mesmo que os países da UE apoiem o acordo, a França continuará a combatê-lo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que o tratado entre em vigor.
O acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, e a Comissão parece próxima de conquistar o apoio da Itália. O aval de Roma significaria que a UE teria votos suficientes para aprovar o acordo comercial com ou sem o apoio francês.
A votação sobre o acordo é esperada para sexta-feira (9).
Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo durante uma manifestação do sindicato agrícola francês Coordenação Rural (CR)
Thomas Samson/AFP