Agrishow tem queda de 22% no volume de negócios em meio a guerra no Oriente Médio e altas taxas de juros

  • 01/05/2026
(Foto: Reprodução)
A Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola do país, encerrou a edição de 2026 com uma queda de 22% no volume de negócios. Segundo dados divulgados pela organização nesta sexta-feira (1º), o evento ajudou a prospectar R$ 11,4 bilhões, R$ 3,2 bilhões a menos do que em 2025. O resultado confirma o cenário de queda de 20% nas vendas do setor de máquinas e implementos agrícolas no país no primeiro trimestre, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Entre os problemas associados a esse retrospecto estão altas taxas de juros que dificultam o acesso ao crédito, baixa no preço das commodities, inadimplência no campo, além de desdobramentos da guerra no Oriente Médio que encarecem os custos de produção e reduzem o capital dos produtores para fazer investimentos. "O mercado reflete uma situação em que o agricultor já vem de alguns anos de aumento de custos de produção e os preços continuam e os preços não estão, as margens deles diminuindo. Por isso nós temos esse volume de recuperação judicial no campo e também o agricultor hoje está priorizando o custeio", afirmou João Carlos Marchesan, presidente da Agrishow. Apesar de ter sido comum ver ruas esvaziadas na feira, a organização confirmou que o número de visitantes foi o mesmo do ano passado, de 197 mil pessoas. A próxima edição está prevista para acontecer entre 26 e 30 de abril de 2027. AGRISHOW 2026 - QUINTA-FEIRA (30) – RIBEIRÃO PRETO (SP) - Sol predominou ao longo do dia na feira. Érico Andrade/g1 Condições especiais para driblar desafios da economia Mesmo com a queda divulgada pela organização da Agrishow, representantes de empresas entrevistados pelo g1 fizeram um balanço oposto sobre o evento. Diretor de marketing da Massey Ferguson, Breno Cavalcanti afirma que as visitações em alta ao estande da marca, com máquinas como tratores e colheitadeiras, foram na contramão dos resultados negativos apontados pelo setor de máquinas agrícolas este ano. "O mercado está em um momento um pouco mais complexo. A gente sempre se orienta pelos indicadores como Fenabrave e Abimaq. Eles reportam um percentual de queda, mas pra nós a movimentação no estande e as negociações foram muito positivas", afirmou. Para atrair os clientes, a fabricante apostou em condições especiais para adesão a consórcios, bem como descontos, redução em taxas e benefícios. "A gente trouxe uma série de campanhas ao longo do mês de abril que vão se estender até maio (...). Um determinado produto que o cliente comprava, por exemplo, ganhava as três primeiras revisões." LEIA TAMBÉM De 'trator que fala' a 'trator fantasma', veja máquinas com IA que operam sozinhas Comando de trator que se assemelha a 'videogame' torna rotina do produtor mais intuitiva Agrishow 2026: máquinas com inteligência artificial 'de fábrica' são destaques; veja novidades Linhas de financiamento especiais, produtos a pronta entrega e alternativas como o "barter", em que o produtor utiliza a safra futura de grãos como forma de pagamento para insumos como fertilizantes, foram algumas das opções oferecidas pela Coopercitrus na feira. "Nós organizamos ônibus, vans, para trazer produtores de regiões mais distantes, porque a gente quer que ele aproveite a oportunidade", afirma o CEO Fernando Degobbi. Agrishow: trator tem painel que parece um videogame A estratégia, segundo ele, deu certo e resultou em uma movimentação recorde no estande do evento, que representa até 20% do faturamento anual da cooperativa. “Não sabemos quanto tempo a guerra vai durar, mas alguns produtos, obviamente, pós-guerra, vão cair de preço. Eles estão afetados por esse cenário, só que ninguém sabe até quando. E aí você tem o tempo para poder plantar, para poder colocar os insumos, e essa é a questão que o produtor tem que estar atento e eu acho que ele está entendendo isso. Você pode conferir aqui, é um fluxo bastante grande de produtores", afirma. Se os números não foram positivos para todos, o retorno surpreendeu a equipe da Tritucap, empresa de Sertãozinho (SP) que voltou à feira após sete anos com uma tecnologia que faz a erradicação de lavouras de café de maneira sustentável. "Esperávamos um bom desempenho com o lançamento voltado ao café, que vive um momento positivo, mas o volume de vendas foi três vezes maior do que o previsto", diz. Equipamentos voltados para a citricultura, fruticultura, pastagens e trato florestal também tiveram boa aceitação. "Já avaliamos ampliar nossa área de exposição em 2027”, afirma. Nas palavras de Luís Pio, presidente da Herbicat, que desenvolve tecnologias de aplicação de insumos como um pulverizador inteligente para plantas novas, essa foi a melhor Agrishow da história da empresa mesmo com o cenário desafiador na economia e com os resultados gerais apontados como negativos pelos organizadores. "Nesta edição, registramos mais de 300 contatos de interessados em nossas soluções, o que estimamos gerar um retorno de vendas entre 10% a 20% no pós-evento. Saímos dessa feira com uma carteira de prospecção mais robusta que a edição passada. Sem dúvida, foi a melhor Agrishow de toda a nossa história." AGRISHOW 2026 - QUINTA-FEIRA (30) – RIBEIRÃO PRETO (SP) - Visitante confere máquina agrícola no interior de São Paulo. Érico Andrade/g1 Ativações geram movimentação milionária A Agrishow é considerada a maior feira de tecnologia agrícola do país, com uma área de exposição maior do que a de 50 campos de futebol que ajudou a movimentar R$ 5 milhões somente com ativações e ações promocionais nos estandes que fecharam contrato com a BP One, especializada em live marketing. “O stand é uma plataforma de relacionamento. É o espaço onde a marca se posiciona, traduz a solução, a inovação e ela se tornou uma ferramenta estratégica da geração de valor para a marca. A interação foi extremamente positiva", afirma Tânia Noguchi, diretora de estratégia e gestão da Live Retail Marketing da BP One. A empresa é que esteve por trás da operação de grandes marcas como a Valtra, que tinha um espaço próprio de 3,5 mil metros quadrados, e da Baldan, com 4 mil metros quadrados. "O produtor plural está cada vez mais técnico e objetivo. Então, as marcas, nós como representantes das marcas e como agência, a gente tem que ficar cada vez mais atento para que essas interações façam sentido e sejam cada vez mais relevantes.” AGRISHOW 2026 - QUINTA-FEIRA (30) – RIBEIRÃO PRETO (SP) - Estande com tratores em exposição na feira. Érico Andrade/g1 Palco político no interior de SP Pela representatividade no agro, o evento se tornou uma parada quase obrigatória para aqueles que buscam uma maior proximidade com o setor na corrida a presidente nas eleições 2026. No domingo (26), como uma das autoridades participantes da cerimônia oficial de abertura, a feira recebeu o vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB), que anunciou uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para a compra de equipamentos agrícolas. Agrishow 2026: Flávio Bolsonaro e Tarcisio de Freitas visitam estande de tratores em evento que acontece em Ribeirão Preto, SP Érico Andrade/g1 Na segunda-feira (27), foi a vez de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL) visitarem a feira e fazerem críticas ao governo federal, principalmente às políticas voltadas para o setor agropecuário. Na terça-feira (28) foi a vez de Romeu Zema (Novo-MG), que reiterou críticas ao STF e rebateu declarações do ministro Gilmar Mendes, que ironizou o sotaque mineiro dele. Na quarta-feira (29), o evento recebeu Ronaldo Caiado (PSD), que questionou a proximidade de outros políticos com o segmento agro apenas em épocas de eleição, e Aldo Rebelo (DC), que sugeriu a criação de um "emendão" para desbloquear obras travadas pelo STF e outras instituições. AGRISHOW 2026 - QUARTA-FEIRA (29) – RIBEIRÃO PRETO (SP) – O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à presidência da República, concede entrevista durante visita a feira Érico Andrade/g1 Leia mais notícias da Agrishow 2026

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/agrishow/noticia/2026/05/01/agrishow-tem-queda-de-22percent-no-volume-de-negocios-em-meio-a-guerra-no-oriente-medio-e-altas-taxas-de-juros.ghtml


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