Brasil deve bater recorde de exportação e produção de soja em 2026, diz associação
16/04/2026
(Foto: Reprodução) Agricultores colhem soja
REUTERS/Enrique Marcarian
O Brasil deve exportar um volume recorde de 113,6 milhões de toneladas de soja em 2026, segundo estimativa divulgada nesta quinta-feira pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
A projeção foi aumentada em mais de 2 milhões de toneladas em relação ao mês anterior, enquanto o país conclui a colheita da safra, que também deve ser a maior já registrada.
Caso essa previsão se confirme, o Brasil, maior produtor e exportador mundial de soja, terá um aumento de 5,4 milhões de toneladas nas exportações em relação a 2025.
A Abiove, que representa empresas como ADM, Amaggi, Bunge, Cargill, Cofco e Louis Dreyfus, manteve a estimativa de produção de soja para a safra 2025/26 em 177,85 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 3,7% em relação ao ciclo anterior.
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Esse crescimento é resultado da ampliação das áreas plantadas e de condições climáticas favoráveis, segundo a associação.
Além da safra recorde no Brasil, outros países também tiveram colheitas expressivas, aumentando a oferta mundial de soja.
Por isso, a Abiove reduziu a previsão de preços do produto para 2026, o que deve resultar em receitas menores com exportação em comparação a 2025.
A estimativa de receita com as exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) foi reduzida para US$ 51,18 bilhões em 2026, contra US$ 58,17 bilhões previstos no mês anterior. Esse valor é menor do que o registrado em 2025, que foi de US$ 52,9 bilhões.
A soja, que está entre os principais itens exportados pelo Brasil, deve gerar uma receita de US$ 42 bilhões em 2026, abaixo dos US$ 49 bilhões previstos anteriormente.
A Abiove agora estima o preço médio da soja exportada em US$ 370 por tonelada, contra US$ 440 por tonelada na projeção anterior.
Segundo a associação, essa revisão nos valores ocorre devido ao aumento da oferta mundial e dos estoques de soja. Os preços médios são calculados levando em conta as exportações já feitas e as previsões de preços e prêmios para os próximos meses.
A Abiove também elevou a previsão de processamento de soja no Brasil em 2026 para 62,2 milhões de toneladas, superando o recorde anterior de 61,5 milhões. Isso representa um crescimento anual de 3,5 milhões de toneladas.
"O ajuste positivo nas expectativas de processamento evidencia a resiliência do setor frente à safra recorde. A conversão da matéria-prima em produtos de maior valor agregado fortalece os pilares da matriz energética e do suprimento alimentar brasileiro", disse o diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, Daniel Furlan Amaral.
Derivados
Com o aumento do processamento, a Abiove revisou para cima a previsão de produção de farelo de soja no Brasil em 2026, chegando a 47,9 milhões de toneladas.
Esse número é 500 mil toneladas maior que o estimado em março e supera as 44,85 milhões de toneladas produzidas em 2025.
A previsão de exportação de farelo de soja permaneceu inalterada, com estimativa de 24,6 milhões de toneladas enviadas ao exterior.
Por outro lado, a Abiove aumentou um pouco a estimativa de exportação de óleo de soja em 2026, chegando a 1,55 milhão de toneladas, contra 1,36 milhão em 2025.
A associação agora projeta que a produção de óleo de soja no Brasil em 2026 será de 12,5 milhões de toneladas, acima dos 12,35 milhões previstos anteriormente e dos 11,9 milhões produzidos em 2025.