Com medo de furtos, produtores reforçam segurança e deixam de armazenar café e pimenta no ES
05/07/2026
(Foto: Reprodução) Época de colheita muda rotina de produtores para evitar prejuízos com gado, pimenta e café
A insegurança no campo tem mudado a rotina de produtores rurais do Norte do Espírito Santo, principalmente durante o período de colheita de culturas como café e pimenta-do-reino.
Com receio de furtos e roubos, agricultores passaram a adotar medidas extras de proteção e até a alterar a forma de armazenamento da produção.
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Dados da Secretaria da Segurança Pública (Sesp) mostram que, somente no ano passado, foram registrados 44 casos de furtos e roubos na região. Em 2026, já são 16 ocorrências, sendo 14 delas em áreas rurais.
Em São Mateus, o produtor de pimenta-do-reino Neomar Pastorini decidiu não armazenar mais a produção de clientes após ter a propriedade invadida e equipamentos furtados.
"Conversei com os produtores e combinei o seguinte: tudo que eu seco, ainda à tarde ou no outro dia, eles precisam buscar. Eu presto o serviço, mas não fico mais responsável por armazenar nada para ninguém. Não tem como trabalhar na nossa região de outro jeito", afirmou.
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Medo de furtos muda rotina de produtores durante colheita no Norte do Espírito Santo
TV Gazeta
O produtor lembrou que a realidade no campo era diferente há alguns anos.
"Antes, se você deixasse uma saca de café no meio da lavoura, ela brotava dentro do saco. Hoje, em 24 horas eles te roubam", comparou.
Segundo relatos de produtores, os criminosos têm como alvo produtos de alto valor comercial, como pimenta-do-reino, café e até gado.
Diante desse cenário, muitos agricultores passaram a investir em câmeras de monitoramento, cães de guarda e maior controle de acesso às propriedades.
Medidas para reduzir riscos
Ciente da preocupação e medo dos produtores, o Conselho de Segurança Pública (Consel) da região orienta a adoção de cuidados na contratação de trabalhadores temporários durante a colheita.
"É importante identificar o trabalhador, conferir documentos e buscar referências, consultar o histórico criminal. O proprietário precisa saber quem está entrando na propriedade", orientou o presidente do ConseI, Edval Sant'Ana.
Medo de furtos muda rotina de produtores durante colheita no Norte do Espírito Santo
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Outra recomendação é evitar pagamentos em dinheiro vivo, não realizar o transporte de cargas durante a noite e manter máquinas, implementos e equipamentos guardados em locais fechados e protegidos.
PM reforça patrulhamento rural
Para tentar evitar as ocorrências e atender ao aumento da movimentação nas áreas agrícolas durante a safra, a Polícia Militar iniciou ainda em março a Operação Colheita 2026.
A ação seguirá até 15 de novembro e prevê reforço do policiamento ostensivo nas comunidades rurais, intensificação de abordagens, visitas a propriedades e operações integradas com outros órgãos de segurança.
O produtor rural Almir Gaburro está entre os agricultores que recebem as visitas da Patrulha Rural.
"Nós temos a visita da polícia aqui na propriedade. Eles entram até nas áreas de café, fazem rondas e estão sempre presentes. Isso é muito importante para quem vive e trabalha no campo", disse.
Segundo a PM, a operação busca prevenir crimes como furtos e roubos, além de ampliar a sensação de segurança entre produtores e trabalhadores rurais durante o período de maior circulação de pessoas, mercadorias e valores nas regiões agrícolas.
Polícia Militar realiza Operação Colheita 2026 no Espírito Santo
Reprodução/PMES
Espírito Santo é destaque nacional
O período de colheita coincide com uma das épocas mais importantes para o agronegócio capixaba.
O Espírito Santo é o maior produtor de café conilon do Brasil, responsável por cerca de 70% da produção nacional. A atividade representa cerca de 38% do PIB agrícola capixaba.
São 49 mil propriedades rurais em 68 dos 78 municípios do estado. O período de colheita ocorre entre os meses de maio a agosto.
Também em relação à pimenta-do-reino, o estado é o maior produtor e exportador de pimenta-do-reino do Brasil, respondendo por mais de 60% da safra nacional, com a safra estimada em cerca de 80 mil toneladas.
O período principal da colheita da pimenta-do-reino no Espírito Santo ocorre entre os meses de junho e novembro.
Duas culturas que têm forte presença nos municípios do Norte do estado e movimentam bilhões de reais na economia capixaba todos os anos.
Medo de furtos muda rotina de produtores durante colheita no Norte do Espírito Santo
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