Para conquistar apoio do agro ao acordo UE-Mercosul, bloco europeu diz que vai reduzir tarifas de fertilizantes
07/01/2026
(Foto: Reprodução) Bandeiras da União Europeia tremulam em frente à sede da Comissão Europeia, em Bruxelas.
REUTERS/Yves Herman
Para conquistar assinaturas pró acordo União Europeia e Mercosul, a Comissão Europeia anunciou nesta quarta-feira (7) que vai reduzir tarifas de importação de certos fertilizantes e vai impulsionar uma lei que pode permitir suspensões temporárias da taxa de carbono nas fronteiras da UE.
As concessões fazem parte de uma tentativa da Comissão, apoiada por países como Alemanha e Espanha, de obter a maioria dos 15 membros da UE para autorizar a assinatura do acordo com o Mercosul, possivelmente na próxima semana.
Isso porque alguns produtores rurais europeus temem que a entrada de produtos do bloco sul-americano, como carne e açúcar, a preços mais baixos prejudique seus negócios.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
Por que o acordo União Europeia-Mercosul é alvo de tanta disputa no agro?
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Mesmo com essa autorização, o texto ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu para começar a valer.
O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, afirmou que a UE pretende zerar as tarifas padrão de 6,5% sobre a ureia e de 5,5% sobre a amônia.
Segundo ele, a Comissão também vai incentivar os parlamentares a aprovar uma lei que permita isenções temporárias da taxa de carbono aplicada às importações.
Mais cedo, França e Itália pediram que os fertilizantes fossem excluídos dessa taxa.
O mecanismo, que entrou em vigor em 1º de janeiro, cobra pelo CO₂ emitido na produção de itens como aço e fertilizantes importados, para evitar concorrência considerada desleal com produtos fabricados na Europa.
Defensores do acordo com o Mercosul, que levou cerca de 25 anos para ser negociado, afirmam que ele é essencial para ampliar exportações europeias afetadas por tarifas dos Estados Unidos e para reduzir a dependência da China, especialmente no acesso a minerais estratégicos.
Nesta quarta-feira, comissários europeus das áreas de agricultura, comércio e saúde se reuniram com ministros do bloco para tentar acalmar preocupações sobre o futuro dos agricultores.
Entre os temas discutidos estão o financiamento ao setor e a revisão de regras de importação, como os limites de resíduos de pesticidas.
França e Itália barraram acordo em dezembro
França e Itália, os dois maiores produtores agrícolas da UE, impediram a assinatura do acordo em dezembro.
Os países afirmam que só apoiarão o texto após garantias contra uma possível entrada em grande escala de produtos do Mercosul, como carne bovina e açúcar.
Na terça-feira, a Comissão Europeia sinalizou ter avançado nas negociações com a Itália ao propor a antecipação de um pacote de ajuda de 45 bilhões de euros para agricultores europeus.
Polônia e Hungria seguem contrárias ao acordo, enquanto a França mantém uma posição crítica. Já a Irlanda, grande produtora e exportadora de carne bovina, indicou que pode apoiar o texto.
O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, afirmou que o país negocia com governos que compartilham preocupações semelhantes e destacou a importância de salvaguardas contra aumentos repentinos nas importações.
"Ainda há trabalho a ser feito antes das discussões entre os governos sobre este assunto... Temos preocupações com o Mercosul , mas muitos progressos foram feitos nos últimos 12 meses", disse Martin a jornalistas durante uma viagem à China.
A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que o país não apoia o acordo e defendeu uma avaliação mais ampla do impacto de múltiplos acordos comerciais sobre o setor agrícola europeu.